Preso por roubo e suspeito de integrar milícia, PM é investigado por assassinato de colega

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Victor Pereira foi morto a tiros em 2018 | Foto: Reprodução/ Facebook

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) investiga a participação de um policial militar na morte do também soldado PM Victor dos Reis Pereira, assassinado a tiros em 12 de outubro de 2018, na cidade de Entre Rios.

A reportagem apurou que o soldado Lenilson dos Santos Costa, lotado na 32ª Companhia Independente de Polícia Militar, de Pojuca, é o alvo da apuração. Ele está preso no Batalhão de Choque da corporação, em Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador (RMS), por envolvimento em um roubo na cidade de Igaporã, em junho deste ano. O Bahia Notícias mostrou nesta semana que Lenilson também é réu, junto a outros seis colegas de farda, em processo por integrar organização criminosa que praticava roubos no interior do estado (veja aqui). O grupo chegou a ser classificado por um juiz como milícia.

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O episódio em Igaporã acabou ligando Lenilson à cena do assassinato de Victor. De acordo com a SSP, uma perícia na arma apreendida com o militar durante a prisão dele apontou que o revólver estava presente no local da morte do PM. A pistola calibre 40 foi encontrada pela vítima do roubo, que aconteceu no dia 10 de junho deste ano, em Igaporã – o soldado a deixou cair na cena do crime. Ciente da possível participação do PM na morte de Victor, a Força-Tarefa da SSP contra grupos de extermínio solicitou que o equipamento passasse pelo microcomparador balístico do Departamento de Polícia Técnica (DPT).

O laudo apontou que estojos da mesma pistola foram encontrados próximos do corpo de Victor. Disparos contra a vítima foram realizados, mas os tiros que acabaram matando o soldado partiram de outra arma, que segue sendo procurada pelas forças de segurança. Victor foi vítima de uma emboscada, na BA-400, por homens em um carro modelo Golf. Ainda em 2018, um homem que também participou do homicídio foi preso.

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA
Lenilson é acusado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) de integrar organização criminosa que roubava moradores no município de Pojuca, Região Metropolitana de Salvador (RMS), e com atuação em outras cidades baianas.

A Justiça aceitou duas denúncias do órgão contra ele e outros seis PMs, por crimes previstos nos artigos 242 do Código Penal Militar, o de cometer roubos com ameaça de emprego ou uso de violência a ponto de impossibilitar defesa da vítima, e no 288 do Código Penal comum, o de associação criminosa. 

Viraram réus a subtenente Jaqueline Santana Lins e os soldados Lenilson dos Santos Costa, Diego Ramos Costa Santos, João Pedro Carneiro, Walnei Dias Teixeira, Eliel Carneiro da Silva Júnior e Sebastião dos Santos Mendes, todos lotados na 32ª CIPM, em Pojuca.

O grupo chegou a ser preso em operação realizada em 6 de julho deste ano (relembre aqui) para desarticular a organização, suspeita também de formar grupo de extermínio, realizar extorsões e de abusar sexualmente de uma das vítimas de crimes da quadrilha. No entanto, apenas Lenilson permanece na cadeia, já que a Justiça deu liberdade provisória aos outros seis PMs no dia 1º de setembro. Os agentes estão afastados das funções na corporação, informou ao Bahia Notícias a assessoria de comunicação da Polícia Militar.

A organização passou a ser investigada depois do citado roubo em Igaporã, quando um imóvel foi invadido por homens fardados que diziam cumprir mandado judicial. Após subtraírem R$ 5 mil, celulares e joias, os criminosos saíram e deixaram cair uma pistola calibre 40, de propriedade de Lenilson. No mesmo dia, ele foi preso.

Diante do caso, as Corregedorias Geral e da PM aprofundaram as investigações e descobriram indícios de participações dos outros militares. Informações preliminares apontam que o grupo, em alguns casos, usava fardas rajadas (conhecida popularmente como Caatinga) e invadia locais usados por traficantes para sequestrar criminosos ou parentes.

Ao manter a prisão de Lenilson, o juiz Álvaro Marques ressaltou o “caráter delitivo” do PM e argumentou que a liberdade dele poderia representar “óbice ao desenvolvimento regular da instrução, o que fere também a segurança da aplicação da lei penal, diante da notícia de que vítima foi ameaçada e buscou-se a impunidade pelos supostos delitos praticados.” A Justiça espera agora parecer do Ministério Público para decidir se aceita o pedido da defesa para soltar o soldado.

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