A tradição das caretas, dos mascarados e das fantasias carnavalescas em São Miguel das Matas segue viva, mesmo sem incentivo do poder público. É a força da cultura popular periférica que resiste através da ancestralidade, da organização comunitária e da alegria do povo.
Mesmo sem festa oficial promovida pela prefeitura neste período momesco, os foliões mostraram que o Carnaval não depende apenas de palco e trio elétrico para existir. Ele se renova nas ruas, nas casas, nas famílias — de “mamando a caducando”, como dizia minha saudosa avó.
Sabemos que promover uma festa pública exige recursos: estrutura, artistas, iluminação, segurança, ornamentação. Cada município precisa, sim, colocar o chapéu onde a mão alcança. Mas deixar a festa passar em branco é mais do que uma economia — é um golpe na cultura e também na economia local.
O Carnaval movimenta o comércio: salão de beleza, barbearia, lojas, bares, restaurantes e vendedores ambulantes. Mesmo quem não brinca acaba sendo beneficiado pelo aquecimento econômico que ele proporciona.
Diante das dificuldades enfrentadas pelos pequenos municípios, o Governo do Estado, por meio da Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia, abriu edital com repasses entre R$ 250 mil e R$ 700 mil para apoiar a realização do Carnaval. No entanto, nem todos os municípios conseguiram ou manifestaram interesse em garantir esses recursos.
O Carnaval é mais que festa. É identidade, pertencimento e sonho. Como defendia Dom Hélder Câmara, ele é uma das raras alegrias populares que ainda restam ao povo — um momento de leveza em meio às dificuldades da vida.
Parabéns a todos os foliões que não deixaram o Carnaval de São Miguel das Matas ser sepultado. Ele pode estar fragilizado, mas enquanto houver resistência popular, haverá esperança de que volte firme, forte e revigorado para fazer a alegria do nosso povo.
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