Delegada detalha caso de estelionato sentimental registrado em Feira de Santana; homem de 39 anos foi preso pelo crime

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No último sábado (26), um homem de 39 anos foi preso pelo crime de estelionato após a Delegacia de Atendimento à Mulher de Feira de Santana em trabalho conjunto com o Núcleo de Inteligência da 1ª Coorpin localizá-lo. O mandado de prisão foi cumprido em São Paulo pela pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco-SP).

O suspeito é acusado de ter cometido o crime em pelo menos cinco estados brasileiros. Um destes casos, classificado como estelionato sentimental, foi registrado em Feira de Santana e a denúncia foi o que possibilitou a prisão do mesmo.

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Sobre o estelionato sentimental

A delegada Lorena Almeida, titular da Deam de Feira de Santana, esclareceu em entrevista ao Acorda Cidade que essa é uma modalidade de golpe cujo termo foi criado informalmente.

Embora exista um projeto de lei em trâmite no Senado para inserir uma modalidade específica para o estelionato sentimental, atualmente no código Penal só existe oficialmente o crime de estelionato comum previsto no artigo 171. Na ação, também conhecida como ‘Golpe do amor’, o autor do crime, se aproxima da vítima demonstrando interesse e envolvimento amoroso, mas criando uma atmosfera falsa com intenção de obter bens e dinheiro das vítimas.

”Tudo é fake, então ele alega ser uma pessoa que tem uma estabilidade profissional, que tem uma renda financeira boa, mas eles sempre criam alguma desculpa para não estar tendo acesso a esse dinheiro. Falam que estão sendo vítimas de algum golpe, ou algo nesse sentido”, explicou a delegada.

A pena pode variar de 1 a 5 anos, mas isso depende também de outros agravantes ou crimes em paralelo que podem ser adicionados nos casos.

Golpe aplicado em Feira de Santana

A delegada Lorena, esclarece que este golpe é bem mais elaborado do que muita gente pode imaginar, e algumas pessoas acabam ficando suscetíveis sem perceber. ”É muito importante a gente falar que é um golpe muito bem preparado. Muitas vezes a gente vê pessoas julgando as vítimas, só que eles são realmente especialistas. Então eles estudam o perfil da vítima, vendo o que é que a vítima precisa para que eles possam criar toda essa atmosfera de confiabilidade.”

No caso em questão, não foi diferente. Segundo a delegada, o suspeito criou uma narrativa por bastante tempo mantendo contato com a vítima até conhecê-la pessoalmente, onde também arrumou meios de sustentar a história criada.

”Ele criou um personagem de ser uma pessoa religiosa, criou um perfil na rede social muito bem estruturado, com fotos na igreja. Abordou ela na rede social, e começou a conversar com ela. E nessa conversa ele sempre dizendo que ele tinha intenção de casamento, que ele queria construir família com ela, e que queria que ela fosse sócia. Depois dele criar toda essa atmosfera de confiabilidade foi que ele veio para Feira conhecê-la pessoalmente.”

Presencialmente a situação não mudou, o homem manteve um perfil com valores compatíveis aos da vítima para que ela continuasse confiando.  ”Ele pagava as contas de restaurantes, ele dava presentes, ele até mesmo se batizou na igreja evangélica. E isso a gente vê até em seriados, documentários, a pessoa se aproxima demonstrando ter estrutura para sustentar aquilo que ele está falando.”

A história entre o suspeito e a vítima foi caminhando até que veio a proposta de sociedade comercial, momento em que a mulher começou a investir dinheiro em uma empresa que ela acreditava que seria sócia, mas essa empresa nunca existiu.

”Ele dizia para ela que ele estava investindo nessa empresa, que seria uma empresa de marketing, e ele identificou nela pontos que seriam fundamentais para a sociedade. Então ele falou ‘eu vou ficar com essa parte aqui de gerir a empresa administrativamente, você vai ficar com a parte de tratar com o cliente’. Então ela foi acreditando que ela seria realmente sócia dessa empresa.”

A delegada explica que neste caso é possível identificar que houve estelionato porque a vítima provou que realizou as transferências induzidas de maneira deturpada. ”Esse prejuízo, ela sofreu porque ela estava induzida ao erro, ela fez esse pagamento enganada. Então não foi somente uma promessa de casamento, foi uma promessa de sociedade de uma pessoa que estava afirmando que casaria com ela.”

A desconfiança partiu no momento em que a vítima fez um dos últimos investimentos que foi a passagem do suspeito para São Paulo, pois ele alegou que estava indo para resolver questões referentes à empresa. Ao chegar lá, passou a não dar mais satisfações nem referentes ao relacionamento, nem referentes à sociedade, alegando justificativas inconsistentes.

”Ele começou a dizer que ele tava também com depressão, que ele tinha tentado se matar. Ele falava que ele tava doente, que a ex-mulher dele tava ameaçando ele, pedindo dinheiro.”

A vítima começou a perceber que o comportamento não estava condizente com o esperado, a partir daí começou por conta própria uma investigação que a levou a descobrir que o homem já tinha passagem pela polícia, e então foi até a delegacia com todas as provas para registrar a ocorrência. Na investigação tudo se confirmou e a Deam representou pela prisão preventiva do mesmo.

Os principais alvos do estelionatário preso em SP

Em paralelo ao golpe aplicado em Feira de Santana, o homem também estava fazendo outra vítima em Aracaju. A mulher em questão chegou a transferir cerca de 100 mil reais.

”Ele se aproveitava de pessoas fragilizadas, mulheres que tinham acabado de se separar e mulheres cristãs que tinham aquele ideal de família. Muitas delas tinham acabado de ter filhos, e ele se aproximava demonstrando ser tudo aquilo que a mulher sempre sonhou. Uma pessoa religiosa, que tinha projeto de família, uma pessoa que queria realmente colar com a mulher, ajudar, crescer junto com ela.”

*Com informações do site Acorda Cidade/Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

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