O superintendente de Trânsito de Salvador, Fabrizzio Müller, afirmou nesta quarta-feira (13) que ao menos 19 ônibus foram incendiados do ano passado até agora. A maioria dos ataques está relacionada a casos de violência em bairros periféricos da capital. Segundo Müller, nessas situações, a interrupção do serviço ocorre por medida de segurança.
“Em menos de dois anos, já foram 19 ônibus queimados. Evidentemente que isso nos preocupa. A gente fica muito atento à situação em cada bairro. Esse [a mudança de itinerários] é o último recurso a ser tomado na iminência de um problema maior. A gente tem aí uma discussão com as concessionárias, com o Sindicato dos Rodoviários, que também se preocupa com a integridade dos seus associados. Quando tomamos essa medida, visa-se de fato preservar a todos. E, o mais rápido possível, a gente retorna o sistema, quando percebe que há ali condições de segurança para tal”, declarou o superintendente em entrevista à rádio Mix Salvador.
Entre agosto de 2023 e agosto de 2024, conflitos entre facções e operações policiais resultaram em 85 episódios de interrupção total ou parcial da circulação de ônibus na capital. O dado consta de um levantamento do Observatório da Mobilidade Urbana de Salvador e do Instituto Fogo Cruzado.
Segundo o estudo, o número equivale a 316 horas sem serviço de transporte público —uma média de 13 dias sem mobilidade urbana.
No mesmo período, 30 bairros foram diretamente impactados, a maioria deles com predominância de população negra. Em Mussurunga, moradores enfrentaram 14 dias sem ônibus, 7 destes seguidos —a interrupção mais longa verificada, aponta o levantamento, intitulado “Catraca Racial: o impacto da segurança pública na mobilidade urbana da capital da Bahia”.
















