Silêncio de ACM Neto sobre ação da PF é fuga de quem tem um amigo preso, diz Jerônimo

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Foto: Carolina Papa/bahia.ba

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) voltou a cobrar um posicionamento público do vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, após a prisão de correligionários do ex-prefeito presos pela Polícia Federal por supostos desvios de R$ 1,4 bilhão em contratos públicos. Um dos alvos da ação, o empresário Marcos Moura, o “rei do lixo”, usou sua influência com a ACM Neto para que a gestão do sucessor e afilhado político Bruno Reis (União Brasil) liberasse pagamento para o consórcio do qual faz parte. A informação foi reportagem publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo portal UOL na segunda-feira (16).

Moura é acusado de liderar um esquema de fraudes em licitações públicas que envolvia recursos de emendas parlamentares no âmbito da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco).

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“Eu espero muito que a Justiça possa fazer com que os culpados devolvam dinheiro aos cofres públicos e, além disso, que eles paguem na Justiça todo erro, todo vacilo. Quanto ao ex-prefeito, acho que a Bahia está aguardando um posicionamento dele. Ele fugiu das redes sociais. Os Stories dele não falam nada. Ele ontem mandou o jornal dele me perguntar sobre a fuga do presídio de Eunápolis, eu respondi”, disse o governador, um dia após questionar o que chamou de “sumiço” do ex-prefeito.

“É a fuga de quem tem um amigo preso. Ele assumiu que é amigo dele. Nem ele defende, nem ele se posiciona pelo contrário. Ele é favor ou contra? Ele concorda pelo que está sendo denunciado? Ele que prega tanta honestidade. Ele que pega uma ação da polícia forte. Agora a polícia está com um deles na mão. Ele, que critica os presídios, tem gente dele no presídio. Eu gostaria que ele se posicionasse”, afirmou o governador.

ACM Neto não é investigado no inquérito, mas é citado pelo empresário Alex Parente, ligado a Marcos Moura, que o chama de “zero um antigo” num diálogo que buscou sua interferência para a liberação de pagamentos pela prefeitura. O apelido seria uma referência ao período em ACM Neto que comandou o Executivo municipal.

Em uma confraternização do União Brasil na semana passada, ACM Neto admitiu ser “amigo” de Marcos Moura, mas não quis comentar os detalhes da investigação.

De acordo com a PF, Marcos Moura tem empresas na área de limpeza urbana, com contratos em diversas prefeituras da Bahia, incluindo Salvador, onde mantém um contrato de R$ 427 milhões iniciado na gestão do ex-prefeito.  A PF pretende oferecer um acordo de colaboração premiada ao empresário.

Em nota, ACM Neto disse que as investigações não encontraram “qualquer diálogo” seu nem mesmo “citação direta” ao seu nome. “Existem apenas inferências, que, ainda assim, não estão relacionadas a qualquer ato ilícito”, afirmou o ex-prefeito.

Por meio de sua assessoria, a Prefeitura de Salvador disse que o secretário Thiago Dantas determinou a instauração de uma sindicância administrativa para apurar os fatos relacionados à operação Overclean. “Pela ausência de qualquer sinal de envolvimento nos fatos apurados, o titular da Smed (Dantas) não foi alvo de nenhum dos mandados judiciais, cumpridos na última semana.” “No mesmo dia em que foi deflagrada a operação, o servidor Flávio Pimenta foi exonerado pela Prefeitura de Salvador do cargo que ocupava na Secretaria de Educação”, afirmou o texto.

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