
O presidente Lula
O presidente Lula (PT) e seus aliados estão mesclando dois assuntos com apelo junto à população brasileira, o Pix e a Copa do Mundo, como forma de tentar desgastar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista na eleição deste ano.
O grupo político de Lula também busca disputar o verde e amarelo com as forças políticas de direita. O presidente da República demonstra há anos incômodo com o fato de as cores nacionais e a camisa da seleção brasileira de futebol terem ficado associadas ao bolsonarismo.
O petista fez um novo gesto nesse sentido na quarta-feira (24), quando a seleção brasileira venceu a Escócia por 3 a 0 na Copa do Mundo.
Lula recebeu políticos como Geraldo Alckmin (PSB), Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e Márcio França (PSB) no Palácio da Alvorada para decidir a configuração de sua aliança em São Paulo. Depois, assistiu com eles à partida e publicou fotos de todos uniformizados.
Flávio Bolsonaro busca manter os símbolos do futebol nacional associados a seu grupo político. Divulgou recentemente um vídeo gerado por inteligência artificial no qual resgata Neymar. O jogador foi convocado sob críticas, e em 2022 declarou apoio a Jair Bolsonaro (PL), pai do senador. O vídeo foi uma resposta a Lula, que dias antes havia ironizado a participação do atacante na Copa do Mundo.
Os movimentos petistas são parte da estratégia de promover um discurso de soberania nacional para impulsionar Lula na campanha de reeleição. O plano ganhou força após o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, ameaçar o Brasil com um novo tarifaço. O grupo bolsonarista, adversário de Lula, é alinhado a Trump.
A ameaça americana inclui o Pix. Empresas de cartão de crédito dos Estados Unidos afirmam que o Banco Central brasileiro concede tratamento preferencial ao sistema de pagamento instantâneo.
A investida lulista para disputar as cores nacionais e a camisa da seleção e desgastar Flávio com o gancho da Copa do Mundo foi iniciada há duas semanas.
No dia 9, o PT realizou um ato público com siglas aliadas no qual diversos de seus líderes apareceram com uma camisa com as cores da seleção brasileira. Na frente, havia os dizeres “o Pix é do Brasil” e “joga pelo Brasil”. Nas costas, “Lula joga pelo Brasil”.
A mensagem direta é associar Lula à defesa nacional. Indiretamente, trata-se de um contraponto a Flávio Bolsonaro, uma forma de dizer que o senador joga contra o país.
O grupo político de Lula acusa o senador de ter estimulado o governo americano a tomar medidas contra o Brasil. A ideia é apresentá-lo como traidor da pátria.
Flávio esteve nos Estados Unidos, onde se reuniu com Trump e outras autoridades americanas, no fim de maio. Nos dias seguintes, o governo Trump declarou as facções CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como terroristas e lançou a nova ameaça de tarifaço. Flávio diz ter pedido para os EUA não imporem tarifas às empresas brasileiras.
Lulistas afirmam que a medida em relação às facções abre brecha para intervenções americanas em território nacional e traz riscos econômicos.
No último dia 10, Lula se associou ao Pix em um evento oficial do governo. O ministro Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) anunciou o registro do sistema de pagamentos como marca de alto renome, o que restringe seu uso por terceiros, inclusive em contextos não relacionados a serviços financeiros. O ato foi em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, o “Conselhão”.
Lula, então, posou para foto segurando um cartaz que reproduzia a bandeira brasileira. Ao centro, os dizeres “o Pix é do Brasil”, com as mesmas palavras usadas na camisa amarela vestida por petistas no evento anterior. Ele já havia exibido um cartaz com esse slogan no início de junho, mas sem a bandeira brasileira.
O mundo político descobriu entre o fim de 2024 e o começo de 2025 que o Pix é um assunto delicado. Na época, a Receita Federal mudou regras de monitoramento das transações pelo sistema. A oposição a Lula passou a dizer que o governo taxaria o Pix.
As declarações sobre o tema causaram desgaste político ao petista, o que levou à revogação da medida para conter os danos políticos ao presidente. Um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) que levantava suspeitas sobre uma taxação, viralizou e marcou o ponto mais alto do desgaste de Lula por causa do Pix.














