Haddad ameaçou deixar governo por divergência com Sidônio, diz jornal

Brasília (DF), 01/07/2025 - O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante o lançamento do Plano Safra 2025/26, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e o ex-ministro Fernando Haddad (Fazenda)

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) ameaçou, quando ocupava o cargo, deixar o governo do presidente Lula (PT) por conta de uma divergência com o chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social), Sidônio Palmeira. O atrito ocorreu durante os ataques feitos ao PIX no início de 2025, época em que o titular da comunicação do governo pediu a demissão do secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, culpado pelos desgastes.

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Haddad, presente no momento da conversa entre Sidônio e Lula, disse: “E quem ia ser o ministro da Fazenda nesse caso”. O assunto foi encerrado ali mesmo e Robinson permaneceu no cargo, segundo revelou o jornal O Globo deste domingo (7), em uma ampla reportagem sobre o poder do marqueteiro no governo.

Outro motivo de atrito entre Sidônio e Haddad era a taxa das blusinhas (o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$50). O titular da Secom tentou derrubar a medida algumas vezes, o que só aconteceu com a saída definitiva do ministro da Fazenda para concorrer ao governo paulista.

A reportagem revela que a Secom ganhou espaço no governo por meio da coleta de dados, briefings, pesquisas e grupos focais. Tudo para evitar novos ruídos. Foi assim com a isenção do Imposto de Renda, com o Desenrola 2.0 e na elaboração do Move Brasil Táxie Aplicativos, que facilita a compra de carros novos para motoristas de aplicativos e taxistas, com juros reduzidos.

Sidônio costuma despachar com Lula quase que diariamente, sempre pela manhã. “Muita gente acha que a comunicação só tem que levantar a vela. Mas eu acho que tem que às vezes produzir o vento, o tufão, quando tudo está meio parado”, costuma dizer o chefe da Secom à própria equipe para rebater as críticas.

“Não se pode governar ao lado do povo brasileiro (slogan do governo) sem escutar o povo brasileiro. Quem escuta o povo brasileiro é a Secom. Não faço tracking de aprovação isolada, mas sim monitoramento de temas específicos. Não é uma abordagem essencialmente pragmática, numérica e sem sensibilidade; é escuta”, acrescenta.

Durante a crise do INSS, Sidônio considerou um erro o então presidente do instituto, Alessandro Stefanutto, não ter sido demitido sumariamente logo no início das denúncias. Depois, a saída do então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, também teve o dedo do chefe da Secom.

Em 4 de novembro do ano passado, o ex-ministro da Justiça e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, foram chamados por Lula para ir a Belém às pressas para uma reunião. Os dois embarcaram em um avião da FAB em Brasília sem ter ideia do que lhes esperava. Três horas de voo depois, foram recebidos em um navio onde o presidente estava hospedado durante a COP30.

Em uma reunião com outros ministros, Sidônio expôs a ideia de criar uma secretaria extraordinária de segurança pública, o que tiraria poderes do Ministério da Justiça. Após o encontro, Lula acompanhou o então ministro da Justiça no trajeto do navio até a base aérea de Belém. Ricardo Lewandowski colocou o cargo à disposição e, dois meses depois, saiu do governo.

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