Economia da Argentina cresce 4,4% em 2025, mas dá sinais de desaceleração no 4º trimestre

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O presidente da Argentina, Javier Milei

A economia argentina cresceu 4,4% em 2025, conforme divulgado nesta sexta-feira (20) pelo Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos).

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O avanço do PIB (Produto Interno Bruto) foi impulsionado pelo consumo privado (7,9%), pelas exportações (7,6%) e pela formação bruta de capital fixo (16,4%), enquanto o consumo público teve alta modesta de 0,2%.

Apesar do resultado anual, a atividade perdeu fôlego ao longo do ano. No quarto trimestre, a economia cresceu 2,1% na comparação com o mesmo período de 2024, marcando a segunda desaceleração consecutiva.

A alta anual contrasta com o aumento de desemprego no ano passado, que atingiu 7,5% em dezembro, o maior patamar para um quarto trimestre desde 2020, durante a pandemia de Covid-19.

O Indec também divulgou que a taxa de informalidade foi de 43%, com 5,8 milhões de pessoas trabalhando nessa condição, o que implica um aumento de um ponto percentual em relação ao último trimestre de 2024.

Um relatório do Cepa (Centro de Economia Política Argentina) ajuda a entender os dados do Indec sobre o mercado de trabalho, revelando uma queda significativa em empregos assalariados no setor privado, totalizando 194.212 postos, equivalente a uma redução de 3,1%.

A explicação é que o crescimento da economia argentina em 2025 se deu em setores que empregam menos pessoas, como a intermediação financeira (24,7%), seguido pela mineração (8,0%). Agricultura, pecuária, caça e silvicultura cresceram 6,2%.

Em contrapartida, a pesca registrou uma queda de 15,2% e os serviços de residências privadas caíram 1,1% entre 2024 e 2025. Serviços sociais, saúde e administração pública também enfrentaram reduções.

O ministro da Economia, Luis Caputo, destacou que o PIB a preços constantes atingiu um recorde histórico em 2025, 1,1% acima da média de 2022, com 12 dos 16 setores de atividade mostrando crescimento em relação a 2024.

No quarto trimestre de 2025, o PIB cresceu 0,6% ajustado sazonalmente em comparação ao trimestre anterior. Pela ótica da demanda, as exportações aumentaram 5%, e o consumo privado, 1,7%, enquanto o consumo público caiu 1,0% e a formação bruta de capital fixo caiu 2,8%.

As exportações cresceram 10,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, e setores como intermediação financeira e agricultura tiveram crescimentos significativos.

No comparação entre o quatro trimestre de 2025 com o mesmo trimestre de 2024, a indústria manufatureira teve queda de 5% ano a ano; atacadista, varejo e reparos, com -2,2%, e hotéis e restaurantes, com -0,7%, entre outros.

Da mesma forma, a série ajustada sazonalmente marcou uma melhora de 0,6% em relação ao terceiro trimestre, enquanto a série do ciclo de tendência não mostrou variação alguma, o que indica uma possível estagnação na economia.

Para janeiro de 2026, a consultoria Equilibra previu estabilidade na comparação anual, com uma queda mensal de 0,8% após um aumento de 1,8% em dezembro. Essa diminuição foi atribuída principalmente à queda na produção agrícola, que sofreu um baque de 8% em janeiro em comparação a dezembro.

O Índice Geral de Atividades apontou uma redução de 1% na comparação ano a ano em janeiro de 2026, com setores dinâmicos como mineração, enquanto comércio e manufatura enfrentaram dificuldades.

Analistas destacam que, mesmo com o crescimento em dezembro que gerou um efeito estatístico positivo, não é esperado um crescimento elevado para o ano, prevendo um aumento da atividade abaixo de 3% ao ano.

A previsão é de que a recuperação dependa de uma melhor renda para as famílias e de um impulso no crédito, mas enfrentará desafios devido à demanda interna fraca, estagnação salarial e ajustes fiscais.

O panorama sugere uma dinâmica dual, onde setores mais dinâmicos contrastam com aqueles que têm um avanço mais fraco.

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