“Não foram 12 nada. Eles mataram 14. Um foi meu irmão, que tinha 17 anos. Ele não era bandido, não, trabalhava vendendo jujuba”, revelou uma jovem, ao afirmar que nem todos os mortos, na terça-feira, 4, na Rua Teotônio Vilela em Fazenda Coutos, Subúrbio Ferroviário de Salvador, em um suposto confronto com Policiais Militares das Rondas Especiais Baía de Todos-os-Santos (Rondesp/ BTS), tinham envolvimento com a criminalidade.
Ela disse que seu irmão, o vendedor ambulante Davi Costa dos Anjos, era inocente e que estava no imóvel, onde os outros homens foram mortos, porque não teve outra opção, a não ser correr para se esconder, já que os policiais chegaram à rua atirando.
“Quem não devia nada, saiu correndo e invadiu a casa. Vizinhos ouviram eles pedindo socorro, dizendo que não se envolviam com nada, mas disseram [PMs] que iam matar todo mundo”, contou a mulher, enquanto resolvia os trâmites para liberar o corpo do adolescente, no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR), na tarde desta quarta-feira, 5.
A irmã do adolescente Francisco Meriel Freire Santos, 17, que também teria sido morto na ação, declarou que ele trabalhava como pedreiro. “A gente estava sentado na porta de casa, aí eles [PMs] deram um tiro nas costas, depois puxaram ele e deram mais tiros”, narrou a mulher.
Com relação ao número de mortos citado pela irmã de Davi, uma fonte no Nina Rodrigues confirma a versão. “Foram 14 cadáveres, o pessoal está dizendo 12, mas é mentira. Quem sabe se são 14 ou 12 é a gente que trabalha aqui”, afirmou, sob anonimato.
Ao A TARDE, a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP/ BA) reafirmou que foram realmente 12 mortos e que todos tinham envolvimento com a criminalidade. Os homens teriam sido flagrados, na madrugada do dia 3, por imagens de câmeras de segurança do Largo da Fazenda Coutos. Na gravação, é possível ver cerca de 13 suspeitos, alguns fortemente armados e com os rostos cobertos.

















