A criação de uma federação entre o PP, o União Brasil e o Republicanos, cuja discussão se arrasta no plano nacional desde 2023, seria hoje o único obstáculo de peso para a retomada da aliança entre os pepistas e o PT na Bahia. O “casamento” triplo, no entanto, dificilmente se concretizará, segundo apurou este Política Livre. A bancada do Republicanos na Câmara Federal, inclusive, decidiu no início deste mês contrariamente à união por conta das divergências nos estados.
Em volume, só quem segue a favor da ideia são os caciques do União Brasil, incluindo o ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional da legenda, ACM Neto, o atual ocupante do Palácio Thomé de Souza, Bruno Reis, e a maioria dos deputados federais do partido.
Isso porque, além de se fortalecerem com a criação de uma super bancada em Brasília, com enorme potencial eleitoral, na prática a federação garantiria a ACM Neto e a Bruno Reis o controle sobre o PP na Bahia por pelo menos quatro anos.
Do PP baiano, não é à toa que só quem demonstra simpatia pela ideia é o deputado federal João Leão e o filho dele, o secretário de Governo da Prefeitura de Salvador e presidente municipal da legenda, Cacá Leão. Ambos desejam que a agremiação siga na oposição, distante do PT.
Em Brasília, além de João Leão, há outro integrante do PP a favor da federação: o ex-presidente da Câmara Arthur Lira, que deseja voltar a ganhar musculatura na Casa e retomar o controle do União Brasil no Estado dele, Alagoas, perdido desde que um adversário local, o deputado federal Alfredo Gaspar, foi indicado para assumir o comando regional do partido de ACM Neto.
Presidente do PP da Bahia, o deputado federal Mário Negromonte Júnior já se manifestou contra a federação com o União Brasil. Como se não bastassem as divergências entre as duas legendas nos estados, o que inclui a Bahia, os pepistas também temem que, caso o “casamento” seja oficializado, os efeitos da Operação Overclean da Polícia Federal respinguem sobre eles.
Na semana passada, o site mostrou que o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), disse ao senador Jaques Wagner (PT) que a Executiva pepista na Bahia tem total autonomia para fechar uma aliança para ingressar na base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), bem como apoiar a reeleição do petista em 2026. Ciro também teria descartado a federação com o União Brasil, o que era uma preocupação do chefe do Executivo estadual.
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