Foto: Gabriela Biló / Estadão Conteúdo
Por Guilherme Peixoto, Estado de Minas
Desde que se filiou ao Podemos e passou a discursar como pré-candidato à Presidência da República, o ex-juiz Sergio Moro intensificou a agenda de entrevistas. Embora converse reiteradamente com veículos de projeção nacional, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro tem investido em entrevistas a comunicadores de cidades do interior do país.
Levantamento feito pelo Estado de Minas mostra que, desde 10 de novembro, data do ingresso de Moro na vida partidária, ele concedeu ao menos 29 entrevistas a rádios, jornais e emissoras de televisão do interior.
Na lista, há jornalistas de estações radiofônicas de cidades como Nortelândia (MT), Caruaru (PE) e Maringá (PR). A estratégia é similar à adotada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que diminuiu a frequência de entrevistas exclusivas nos últimos meses, mas de agosto para cá teve pelo menos 23 compromissos do tipo — contando conversas com a grande imprensa. Na relação de veículos atendidos pelo presidente, o interior pernambucano está contemplado, bem como Três Lagoas (MS) e Tietê (SP).
O exponencial aumento das aparições de Moro é visto no Twitter, no qual ele costuma anunciar as participações em atrações jornalísticas. De novembro pra cá, ele fez 36 postagens divulgando entrevistas — número que considera idas a programas de veiculação nacional. No resto de 2021, porém, o magistrado da Operação Lava-Jato noticiou poucas exclusivas, mas quando ainda dava expediente na consultoria estadunidense Alvarez & Marsal, mencionou, por exemplo, a participação feita em um podcast que tratou de temas como o combate à corrupção na América Latina.
Moro ainda tem tido dificuldades para atingir dois dígitos nos levantamentos de intenções de voto. Na mais recente pesquisa XP/Ipespe, por exemplo, ele aparece com 8%, empatado com Ciro Gomes (PDT). Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Bolsonaro, os líderes, têm 44% e 24%, respectivamente. Em busca de fazer ecoar suas ideias, o ex-juiz deposita fichas na boa e velha “latinha”. “Acredito que as rádios têm a capacidade de amplificação, fazer com que as propostas do nosso projeto cheguem a um maior número de pessoas”, disse ele ao EM. “O papel da imprensa, especialmente em ano eleitoral, é fundamental”, completa.
Comumente, Moro anuncia entradas em programas matutinos, faixa de horário em que as rádios costumam ter suas maiores audiências — visto que muitas pessoas seguem para o trabalho sintonizadas nas estações. Quando falou à Rádio Metrópole, de Salvador, no último dia 11, por exemplo, o político do Podemos entrou no ar por volta das 8h. A Rádio Banda B, de Curitiba (PR), agendou conversa com Moro para as 7h30 de 25 de novembro.
“As pesquisas mostram que, no interior do país, as rádios locais ainda têm uma penetração muito grande. As pessoas confiam e gostam de ouvir. É uma maneira de ganhar visibilidade e de tentar chegar aos eleitores — principalmente os que não estão tão digitalizados”, explica o cientista político Felipe Nunes, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e diretor da Quaest Pesquisa e Consultoria.
Na segunda-feira passada, Sergio Moro foi de um “extremo” ao outro em sua tática de comunicação: pela manhã, respondeu por vídeo a perguntas feitas em uma emissora de Teresina, capital do Piauí. À noite, estava em um estúdio em São Paulo para conversar com os influenciadores Monark e Igor “3K” Coelho, do Flow Podcast, programa famoso entre os jovens na internet. O papo durou quase cinco horas.
“Nas grandes capitais, as redes sociais acabam sendo mais massificadas. No caso das pequenas cidades, não. [Falar em estações radiofônicas] é uma estratégia de mídia que, geralmente, é bem relevante”, observa Nunes.















